As pessoas foram chegando, ficando cada vez mais próximas, na curiosidade do que estava acontecendo no palco montado pelos 12 adolescentes do grupo. Aquele era o momento de levantar a bandeira e chamar a atenção da população para os problemas sociais, os direitos humanos e os cuidados com a criança, adolescentes e jovens, muitas vezes esquecidos pela sociedade.
A apresentação teve duração de uma hora e contou com a interpretação de clássicos da música brasileira como, “Meu Guri” de Chico Buarque e “Esquadros” de Adriana Calcanhoto. Ao todo foram dez interpretações que sensibilizaram e mobilizaram a todos os presentes, finalizando com muitas palmas e lágrimas não contidas.
“(...) não há explicações e descrições cabíveis para esta experiência, hoje oportunizada para a cidade de São Paulo. Um autêntico e hiper realismo paulistano: carros, buzinas, gente indo e vindo do trabalho e jovens, com o olhar úmido e desperto, mergulhados pela engenhosa harmonia entre o corpo e a linguagem mobilizadora. Neste espaço público, em que as pessoas paravam admiradas, por vezes, assombradas, gritou-se sobre direitos humanos e todo o direito de vida e vida em abundância, mediante a arte cantada, proclamada, gesticulada, dançada e, o mais importante, transmitida por cada parte do corpo e do que dele escapava.
As expressões do grupo Saúvas, artistas da provocação, se transformaram naquele momento em um gesto público de humanidade numa cidade em que se perde no concreto e no submundo ignorado a violação de milhares de vida, entre elas, as mais vulneráveis crianças, adolescentes e jovens.
Peixe Dourado, este nome intencionalmente justificou-se nesta noite de maneira explicita. Pessoas se emocionaram, jovens de tantas maneiras de ser e ver o mundo, paravam e tiravam fotos e gravavam com os seus celulares. Muitos foram os acontecimentos deste Sarau, que merecem ser contatos de maneira mais detalhada. Fica aqui apenas a memória deste inigualável dia, início de tantos outros. E, a dica: esperem, pois serão 12 Saraus por ano (pelo menos). E aonde ocorreram? Ah... aonde tiver um lugar público e transeuntes, lá estará o estandarte do Sarau Peixe Dourado erguido, como um recado de vida, no meio de tantas vidas”, descreve Fábio Paes, Assessor Nacional de Desenvolvimento de Programas e um dos articuladores do sarau na Aldeias Infantis SOS Brasil.