Maus tratos na infância: um fenômeno generalizado em toda a América Latina

No dia 25 de abril, comemora-se o Dia mundial contra os maus tratos na infância, um problema que não distingue raça, religião ou cultura. E que cresce a cada dia
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Lares, centros educacionais, comunidades e situações de emergência humanitária: estes são alguns dos cenários onde, todos os dias, milhares de crianças são vítimas de maus tratos nos países da América Latina e do Caribe. Os maus tratos podem incluir negligência, violência física, psicológica e sexual, além de casos quando a criança é testemunha da violência doméstica cometida contra outras pessoas da família.
 
Todos os locais citados deveriam ser espaços de segurança das crianças, onde se sentissem protegidas. E, muitas vezes, as pessoas que cometem os abusos são conhecidas das crianças, dificultando a denúncia, seja por vergonha ou pela prática se naturalizar como algo comum.
 
Existem circunstâncias que propiciam as situações de violência contra crianças e adolescentes. A pobreza, que é resultado de vários de fatores, geralmente é uma delas. Atualmente, existem 70 milhões de crianças que vivem em situação de pobreza na América Latina e no Caribe. Destas, duas a cada três sofrem violência física ou psicológica regularmente.
 
Outros dados indicam que duas a cada três crianças e adolescentes com menos de 15 anos sofrem algum tipo de disciplina violenta em casa, enquanto três de cada 10 estudantes de 13 a 15 anos são perseguidos no ambiente escolar¹. No Brasil, a cada hora, 15 crianças e adolescentes são vítimas de violações de direitos. Negligência, violência psicológica, violência física e violência sexual representam 95,5% dos casos2.
 
As consequências dos maus tratos na infância são preocupantes. Estudos científicos de todo o mundo evidenciam sequelas a curto e longo prazo, dependendo da intensidade e do tempo de duração da situação de abuso. A maioria das crianças apresenta sentimento de medo intenso, baixa autoestima, dificuldade para se relacionar com parceiros e condutas agressivas ou extremamente passivas. Além disso, uma criança vítima de violência tem menor capacidade de aprender, de alcançar todo seu potencial e de fazer contribuições positivas para a sociedade.
 
Neste contexto, e no âmbito do Dia mundial contra os maus tratos na infância, a Aldeias Infantis SOS Brasil ratifica seu compromisso com a Convenção dos Direitos da Criança para dar fim a todas as formas de violência contra crianças e adolescentes, condenando todas as formas de abuso e maus tratos.
 
Este é um problema urgente e, como membro da sociedade, temos a responsabilidade de proteger crianças de qualquer forma de maus tratos. A visibilidade desta problemática é fundamental para sua prevenção e, por isso, é necessário que exista um enfoque multisetorial. Acabar com os maus tratos na infância é o compromisso que a Aldeias Infantis SOS Brasil assume. A organização assegura ambientes protetores e de cuidado familiar para crianças e adolescentes que perderam o cuidado parental e realiza ações de fortalecimento familiar e comunitário, a fim de prevenir a violência o acolhimento.
 
O trabalho da Aldeias Infantis SOS na América Latina
Aldeias Infantis SOS é uma organização sem fins lucrativos, não governamental e independente, que trabalha pelo direito de crianças e adolescentes a viver em família. Desenvolve seu trabalho no mundo desde 1949 e, atualmente, tem programas em 134 países e territórios, dentro do marco da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.
 
Na América Latina e no Caribe, a Aldeias Infantis SOS apoia mais de 70 mil crianças, adolescentes e jovens e trabalha com mais de 30 mil famílias em 20 países com diversos contextos sociais e culturais.
 
A organização oferece atenção direta e individualizada a cada criança segundo suas características e situação particular; e busca fortalecer as famílias que estão em risco de se separar de seus filhos para que, assim, possam oferecer a eles ambientes seguros.
 
A Aldeias Infantis SOS está comprometida em criar e manter ambientes familiares de cuidado e proteção para todas as crianças – seja em sua família biológica, em um espaço de cuidados alternativos ou na comunidade onde vivem e crescem.
 
Dia após dia, a organização une forças para combater a violência nas famílias que afeta as crianças e todas as outras coisas que causam a perda do cuidado familiar.


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¹Meninos e meninas na América Latina e no Caribe. Panorama 2017. UNICEF
²Balanço Geral 2015 do Disque 100. Secretaria de Direitos Humanos/ Presidência da República