Adinalva - Campinas

"Foi amor à primeira vista", esta é a tradução da Mãe Social (Cuidadora Residente) Adinalva Teixeira Durval, 49 anos, para o momento que conheceu o trabalho das Aldeias Infantis.

“Há 12 anos conheci a organização através de uma reportagem na TV e achei o trabalho fascinante. Eu trabalhava como pesquisadora do IBGE e passava nas comunidades e me encantei com as crianças e procurei realizar trabalhos voltados ao social. Na véspera de carnaval decidi ir ao escritório na Vila Mariana e me inscrever para trabalhar nas Aldeias. Logo fui chamada para uma capacitação que aconteceu no Rio de Janeiro durante 20 dias. O tempo foi passando e fui ficando, até assumir uma casa lar no Programa de Pedra Bonita. Quando comecei, vi muita coisa que não concordava, e na oportunidade de assumir uma casa, resolvi montar o que eu considero ser uma casa de verdade. Primeiro respeitando a cada um que chega e me apresentando, de forma que me conheçam como pessoa. Depois colocando regras e limites sobre o que pode e o que não pode. E assim, todos foram correspondendo gradativamente. O início não foi fácil. Fiz parcerias com profissionais ao redor, desde médico a padeiro. E fui conquistando as pessoas, os vizinhos e fiquei conhecida na região”, relata a cuidadora.

Em agosto de 2009, Adinalva foi convidada a assumir uma casa lar em Campinas, num novo programa da Aldeias Infantis. “O novo desafio me estimulou ainda mais, logo com 9 crianças, jovens e adolescentes. Fiz uma festa linda para recebe-los, com uma mesa repleta de doces. Mas, as crianças estavam em estado crítico. Vindas de outro abrigo, não tinham modos, identidade, educação, respeito, gentileza, apenas raiva no olhar. Demorei um mês para entender quem era quem e pensar numa forma de mudar aquela situação. Foi quando resolvi sentar e dialogar com cada um deles. Deixei claro que eu estava ali para cuidar e orientar. Até porque devemos trabalhar o lado do bem e a cada situação resolver com tranquilidade.”, explica como enfrentou a mudança.

Hoje, sua história soma cerca de 60 crianças que passaram pelos seus cuidados. Uma mulher batalhadora, criada por seus pais com bons princípios, os quais aplica diariamente. Adinalva, trabalha numa estrutura que atende as necessidades de uma residência como outra qualquer, com todas as atividades, cozinhar, lavar, limpar e ainda cuidar das crianças, e confessa que ali, serviço é o que não falta “Dou conta de tudo porque me organizo e todos colaboram também. Para contribuir, recentemente, começamos a contar com o apoio de uma assistente que fica em horário comercial. O que alivia nos detalhes do dia a dia”.

Entretanto, o mais desafiador de tudo isso é a superação das transformações: “Mãe é oferecer proteção. Eu realmente os tenho como filhos. Afinal, é extinto de toda mulher. Tenho a consciência que cada um deles tem a sua família de origem e ofereço estímulo ao convívio. Preparo-os para viver a vida deles lá fora e para ajudar seus familiares. Eu repasso os valores que recebi dos meus pais. Até porque mais que vocação, a minha missão é ser mãe. Mas, não penso em criar para mim e sim para enfrentar o mundo. O mais gratificante é ver as mudanças e no final, o reconhecimento. Muitos deles ainda me ligam, alguns até diariamente. É o caso do João, um menino de 7 anos, que veio para Aldeias muito revoltado. Queria destruir tudo dentro de casa. Nossa relação no começo foi difícil. Até que chegou o dia que olhei para ele e falei que ele não estava ali obrigado, e aos poucos, ele foi entrando no meu jogo e foi se acalmando e fluiu naturalmente. Mas, o grande desafio foi com o adolescente Israel. Um belo dia fui chamada pela Juiza da Vara da Infância que me incumbiu de recebê-lo. Ele vinha de um mundo de drogas, vícios fortes e o meu medo era que bagunçasse com a cabeça das minhas outras crianças. Quando ele chegou eu coloquei as regras para ele. Falei que ele ia estudar e tirar os documentos. E, sempre muito mansinho, me respondia positivamente. Aquilo foi me intrigando, e comecei a desafiá-lo para ver o que ele queria. Até que um dia ele ficou nervoso e falou que ia embora, ia fugir. E eu simplesmente falei que então que ele fosse que eu ia responder a Juiza que dei a oportunidade e não mandei embora. Ele olhou, pensou e resolveu ficar. Daí por diante esse jovem resolver se dedicar aos estudos, foi um dos melhores alunos do colégio. Hoje está trabalhando dignamente, tem sua família e virou exemplo de sucesso a todos da Aldeias.

A história mais comovente que vivi foi quando recebi uma menininha de 14 dias que tinha sido jogada no lixo pela mãe natural. Ela chegou a nossa casa era meia noite, muito debilitada, cheia de feridas e hematomas. Em quinze dias conseguimos deixa-la forte novamente. Ela ficou 9 meses comigo e conseguimos a reintegração junto a família, a avó adotou. Depois dessa criança eu resolvi que devia tratar também de mim, pois senti muito a saída dela “, relata.

Como qualquer outra mulher, Adinalva leva uma vida normal, nas horas vagas saí com os amigos, vai ao shopping, ao cinema e preserva seus momentos de entretenimento e descontração. “Tenho muitos amigos em toda parte, no Rio de Janeiro, em São Paulo onde nasci, cresci e morei por muito tempo, e agora, aqui em Campinas, há dois anos, tenho a certeza que levarei muitos que convivem comigo para o resto de minha vida.”

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