agosto 6 2025
Pesquisa Prevenindo a Separação Familiar: a Experiência da Aldeias Infantis SOS revela caminhos para manter crianças junto de suas famílias
Estudo demonstra que, por meio do Fortalecimento Familiar, 95% das famílias evitaram o acolhimento institucional de crianças e adolescentes
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Em julho de 2025, a Aldeias Infantis SOS lançou a pesquisa Prevenindo a Separação Familiar: a Experiência da Aldeias Infantis SOS, uma publicação inédita que comprova a eficácia de ações de fortalecimento familiar na prevenção da separação entre crianças, adolescentes e suas famílias de origem. O estudo dá continuidade ao relatório “Vozes (In)escutadas e Rompimento de Vínculos”, apresentado pela Organização em 2023.
Para realizar o levantamento, foram avaliadas mais de 1.200 famílias participantes dos projetos em 14 localidades do Brasil. O resultado identificou que, em 95% dos casos acompanhados, foram evitaram o acolhimento institucional de crianças e adolescentes por meio de estratégias como escuta qualificada, apoio psicológico, visitas domiciliares e articulação com a rede pública de proteção.
Fortalecimento familiar é caminho para prevenir rupturas
A pesquisa foi desenvolvida a partir do trabalho do Núcleo SOS de Apoio às Famílias, que integra o serviço de Fortalecimento Familiar da Organização. O modelo de atuação começou em 2020 e reúne referências nacionais e internacionais para apoiar famílias em situação de vulnerabilidade, que vivenciam situações extremas e têm dificuldade para cuidar adequadamente de seus filhos.
Segundo Michéle Mansor, Gerente Nacional de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS, o estudo confirma que o cuidado contínuo e individualizado é fundamental.
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“Escutar as famílias é o primeiro passo para romper o ciclo de exclusão que muitas vivenciam. O Fortalecimento Familiar exige a presença de profissionais qualificados, comprometidos e que compreendam as complexidades sociais”.
A pesquisa ouviu 65 profissionais da Aldeias Infantis SOS, 44 cuidadores (sendo 42 mulheres), e contou com o apoio de conselhos tutelares, rede de proteção, Ministério Público e juizados da infância. O levantamento evidencia que a maioria dos cuidados familiares está sob responsabilidade de mulheres, que enfrentam múltiplas vulnerabilidades como pobreza, violência e ausência de apoio estatal.
Propostas para políticas públicas e sociedade
O estudo vai além do diagnóstico e apresenta propostas concretas para o poder público e a sociedade civil. Entre elas:
- Financiamento contínuo de ações de fortalecimento familiar;
- Melhor articulação entre serviços de assistência, saúde, educação e justiça;
- Garantia de acesso à educação formal;
- Reconhecimento da diversidade dos arranjos familiares.
As recomendações estão alinhadas à Política Nacional de Cuidados, aprovada em 2024, e ao processo de atualização do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária — atualmente em fase de revisão.
A prevenção como prioridade
Muitas das separações identificadas no estudo decorrem de negligência não intencional, ou seja, situações em que famílias não têm condições de oferecer o cuidado necessário devido à ausência de políticas públicas eficazes.
“Para a Aldeias Infantis SOS, garantir que nenhuma criança cresça sozinha é um compromisso coletivo que exige a corresponsabilidade de todos, isto é, Estado, sociedade e comunidade. E, desde já, devemos direcionar nossos esforços no sentido da prevenção, para evitar que mais meninas e meninos sejam afastados de suas famílias de origem por intervenção judicial, uma ação limite para o melhor interesse da criança e do adolescente” finaliza Michéle.
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